Distribuição de Mudas aos Apicultores do Ceará

Jeovam Lemos Cavalcante, apicultor, membro da Camara Naconal do Mel/MAPA e Presidente do Instituto Brasileiro de Apicultura e Meliponilcutura – IBRAM

A adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e o replantio de áreas desmatadas nos biomas brasileiros enfrentam uma barreira significativa: a baixa variedade de mudas de espécies nativas disponíveis para plantio. Este é um dos principais obstáculos para a recomposição florestal no país à medida que são analisados e validados os mais de 5 milhões de Cadastros Ambientais Rurais (CAR) preenchidos pelos proprietários rurais. Após a validação, propriedades rurais com alguma irregularidade ambiental poderão aderir ao PRA e, assim, iniciar o processo de recomposição florestal. A análise dos dados declarados no CAR tem avançado na maioria dos estados, mas continua sendo o principal gargalo na implementação do Código Florestal.

Os desafios para concluir as análises dos cadastros incluem elevadas taxas de reanálise e dificuldades na comunicação com proprietários e possuidores. No entanto, este cenário também representa uma oportunidade única para regularização através da recuperação das matas nativas por plantas do bioma semiárido. A recuperação destas áreas com espécies nativas é essencial para manter a biodiversidade e a funcionalidade dos ecossistemas.

Entretanto, a oferta limitada de mudas nativas em quantidade e variedade reduz a biodiversidade das áreas reflorestadas, podendo comprometer a perpetuação da mata a longo prazo. No Ceará, poucos viveiros são dedicados à produção de árvores nativas. Grupos de apicultores relatam dificuldades para obter mudas nativas próprias do bioma.

O Instituto Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura (IBRAM), em seus objetivos, apoia a ampliação e a melhoria dos pastos apícolas, estimulando a propagação de espécies mais produtivas e de melhor qualidade. Além disso, estimula o plantio consorciado de árvores nativas, especialmente aquelas detentoras de néctar e pólen, visando à segurança alimentar e nutricional. Para maximizar os benefícios do reflorestamento e garantir a sustentabilidade a longo prazo, é essencial que as unidades de conservação ambiental no semiárido deem preferência às árvores próprias do bioma. A recuperação das matas nativas não só contribui para a biodiversidade, mas também para a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas, proporcionando um ambiente mais saudável e sustentável para as gerações futuras.

Nota-se uma preocupação do Estado do Ceará com a produção de mudas nativas, mas é necessário um empenho maior para divulgar essas iniciativas. Exemplos de viveiros incluem o Parque Estadual Botânico do Ceará, em Caucaia, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra de Baturité, em Pacoti, e a Área Adahil Barreto, do Parque Estadual do Cocó. Ali são produzidas mudas nativas, inseridas em unidades de conservação (UCs) estaduais. Sob a administração da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), os viveiros produzem e fornecem mudas para reflorestamento, plantio em áreas públicas e para doação. Segundo pesquisa no site da SEMA, além dos viveiros nas UCs, a Secretaria conta também com viveiros regionais. Em 2021, esses viveiros produziram 180 mil mudas nativas. Entre 2015 e 2021, a produção foi de 787.357 mudas produzidas. A notícia do site destaca que tal quantidade seria suficiente para colocar uma planta a cada três metros dentro de duas cidades do tamanho de Fortaleza.

Ainda, segundo o site, “A distribuição dos viveiros regionais abrange diferentes polos do estado. Estão localizados nos municípios de Acopiara, no Centro Sul; Jardim e Campos Sales (Cariri); Croatá e Ubajara (Serra da Ibiapaba); e Tauá (Sertão dos Inhamuns). Isso possibilita uma logística eficaz para a doação de mudas, para o desenvolvimento de projetos de florestamento, reflorestamento, arborização e educação ambiental por todo o Ceará”. São iniciativas muito boas, mas apenas uma gota no oceano em face das extensas áreas degradadas no Ceará – algumas delas já em fase de desertificação. Não se duvida que as unidades produtoras de mudas são de fundamental importância. Segundo o site, “Por meio da equipe da Ceflor, a Sema tem dado apoio técnico aos viveiros regionais, realizado capacitações presenciais e online, estimulando a atuação regionalizada, para a substituição de espécies exóticas por espécies nativas, visando o fortalecimento da gestão de cada equipamento, além de custear a revitalização dos mesmos”.

Uma excelente iniciativa é o projeto desenvolvido no município de Tauá para obter a denominação geográfica da aroeira na região dos Inhamuns. A aroeira é uma árvore muito conhecida devido às suas propriedades farmacológicas. Durante o período de sua floração, a copa encontra-se completamente sem folhas, coberta apenas por flores. Suas inflorescências formam cachos com flores amarelas, pequenas e perfumadas. Suas flores produzem néctar em abundância, que atrai muitas espécies de abelhas nativas. O mel produzido pelo néctar da aroeira é saboroso e muito apreciado.

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