40 Acres Netflix: O Filme Que Começa Onde Estamos Agora — GeoIBRAM

admin

40 Acres: O Filme Que Começa Onde Estamos Agora

O filme 40 Acres retrata um futuro onde pragas destruíram os animais e o colapso da produção de alimentos é irreversível. No Brasil real de 2025, esse cenário ainda pode ser evitado — mas exige que meliponicultores e apicultores registrem seus apiários e meliponários no GeoIBRAM para ativar os direitos legais de notificação prévia antes da aplicação de agrotóxicos.

A família Freeman não pôde escolher o momento em que o colapso chegou. Nós ainda podemos.

O filme 40 Acres, disponível na Netflix, começa 14 anos depois que uma pandemia fúngica destruiu o gado e quase todos os animais do planeta. Doze anos após uma segunda guerra civil que varreu os sistemas de saúde e as estruturas de governo, uma ex-soldada e sua família sobrevivem numa fazenda isolada de 40 acres no Canadá — os últimos descendentes de agricultores afro-americanos que, 200 anos antes, fugiram da Guerra Civil americana em busca de terra e liberdade.

O que o filme mostra com precisão perturbadora: quando não há polinizadores, não há comida. Quando não há comida, não há civilização. O que restou foi terra, violência e a memória do que a família sabia fazer.

“40 Acres começa onde estamos agora — só que 14 anos depois de não termos agido.”

Isso não é ficção científica distante. É o cenário-limite que a ciência brasileira já documentou como possível — e que o modelo de aprovação de agrotóxicos por equivalência técnica, sem testes ecotoxicológicos para abelhas nativas, está construindo tijolo por tijolo, aprovação por aprovação.

O que a pandemia fúngica do filme tem a ver com o meliponário da sua propriedade

No universo de 40 Acres, a destruição dos animais não foi um evento único. Foi acumulada. Uma série de pragas, cada uma tolerada como “exceção”, até que o sistema não se recuperou mais.

No Brasil real, o meliponicultor que cria Jandaíra, Uruçu, Mandaçaia ou Iraí conhece essa lógica na pele: cada morte de meliponário relatada isoladamente é tratada como caso individual. Sem rastro documental. Sem coordenadas. Sem prova de que havia um meliponário registrado naquele local quando o drone passou aplicando.

O problema não é a morte das abelhas. O problema é a invisibilidade delas — e de quem as cria.

- PROPAGANDA -
Ad imageAd image

O ponto central

Sem cadastro georeferenciado, o meliponário não existe juridicamente. Sem existência jurídica, não há direito a notificação prévia. Sem notificação prévia, a aplicação de agrotóxico a menos de 6 km é legal por omissão — mesmo que destrua colônias inteiras de abelhas nativas sem ferrão.

Três ignorâncias simultâneas que sustentam o vácuo

O cenário que o Brasil vive hoje não é resultado de má-fé generalizada. É resultado de três ignorâncias que coexistem e se alimentam:

  • O produtor rural não sabe que é obrigado a notificar. As normas que exigem comunicação prévia de 48 horas antes da aplicação de agrotóxicos num raio de 6 km foram escritas para aeronaves tripuladas. Nunca foram adequadamente comunicadas para o novo universo de drones agrícolas.
  • O operador de drone não sabe que apiários e meliponários são áreas legalmente protegidas. A Portaria MAPA 298/2021 equipara drones a aeronaves para fins dessas obrigações — mas poucos operadores conhecem essa norma.
  • O meliponicultor não sabe que tem direito. As mesmas normas que protegem apiários protegem meliponários — desde que estejam cadastrados e sejam territoriamente visíveis.

Enquanto essas três ignorâncias coexistirem, nenhum dos três grupos age de forma diferente — e o sistema segue funcionando exatamente como está.

O que o IBRAM não está pedindo

Não estamos pedindo o fim dos herbicidas. Não estamos pedindo o fim dos fungicidas. Não estamos pedindo o fim da agricultura.

Estamos pedindo — junto com a própria ciência brasileira, da Embrapa, da UNESP, da UFSCar, da UFMS e de dezenas de outras instituições — o que é razoável e necessário: que os protocolos de avaliação de risco incluam as abelhas nativas sem ferrão, que a exigência de testes ecotoxicológicos se aplique também a fungicidas e herbicidas, e que a aprovação por equivalência técnica não dispense a avaliação de impacto sobre espécies que nunca foram testadas.1

Por que isso seria difícil num sistema que já dispõe de pesquisa científica nacional para embasá-lo?

O que o meliponicultor pode fazer agora

O produtor rural que notifica o apicultor ou meliponicultor vizinho antes de aplicar defensivos cumpre a lei — e protege a sua própria lavoura. O meliponicultor que registra suas colônias no GeoIBRAM cria o rastro documental que permite exigir essa notificação. O operador de drone cadastrado diferencia seu trabalho do clandestino que aplica sem critério.

Isso não é ambientalismo. São cumprimento de regras que já existem — a IN 02/2008, a IN Conjunta MAPA/MAPA 01/2012 — e que, se cumpridas, minimizam o dano enquanto a ciência avança para atualizar os protocolos.

Ficção e realidade

No filme 40 Acres, a família Freeman não pôde escolher o momento em que a crise chegou. No mundo real, ainda estamos no momento em que a escolha é possível: registrar, notificar, exigir critério, cumprir a lei. Esse momento tem prazo.

Registre seu meliponário no GeoIBRAM. Torne sua criação juridicamente visível. Ative seus direitos.Cadastrar no GeoIBRAM

Outros artigos desta série — Saga BEE-REX

1 IN 02/2008 — zonas de exclusão de 250m ao redor de apiários e meliponários; IN Conjunta MAPA/SDA-MAPA 01/2012 — obrigação de notificação prévia de 48 horas num raio de 6 km; Portaria MAPA 298/2021 — equivalência de drones a aeronaves tripuladas para fins dessas obrigações.

Compartilhar
Nenhum comentário

Isso vai fechar em 0 segundos