SLC Agrícola expande frota de aeronaves autônomas e projeta pulverização em mais de 140 mil hectares

admin

A SLC Agrícola deu mais um passo na incorporação de tecnologia à sua operação no campo. A companhia ampliou o uso das aeronaves autônomas Pelican 2, da fabricante americana Pyka, após os resultados obtidos na Fazenda Paiaguás (MT), e já formalizou pedido de novas unidades junto ao fabricante. A empresa projeta pulverizar cerca de 145 mil hectares na safra 2025/26, levando a tecnologia para novas frentes em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Maranhão (AgFeed).

Trata-se de um avanço técnico digno de nota. O Pelican 2 é uma aeronave 100% elétrica e autônoma, sem piloto embarcado, com capacidade de operar tanto de dia quanto à noite — o que amplia a janela de aplicação e reduz a dependência de combustíveis fósseis. Depois de operar 10,4 mil hectares na safra 2024/25 e mais de 20 mil hectares na atual, a SLC migra da fase piloto para a escala, usando o drone como complemento ao pulverizador terrestre e ao avião agrícola convencional. A companhia estima ainda reduzir até 330 toneladas de CO₂e na safra, resultado direto da substituição parcial de aeronaves a combustão por equipamentos elétricos recarregados majoritariamente por energia hidrelétrica.

É inegável que a iniciativa representa um movimento de modernização relevante para o agronegócio brasileiro, com ganhos de eficiência operacional e potencial de redução de impacto ambiental via menor emissão de carbono. Contudo, todo avanço tecnológico no manejo de defensivos agrícolas precisa vir acompanhado — sem exceção — do pleno cumprimento das normas ambientais e sanitárias que regem a atividade no país.

O que a expansão da frota autônoma não dispensa

A introdução de novas aeronaves, ainda que mais sofisticadas e menos poluentes, não altera o arcabouço legal ao qual toda operação aeroagrícola está sujeita no Brasil. Duas normas seguem sendo centrais:

Lei dos Agrotóxicos (Lei nº 7.802/1989) — condiciona qualquer aplicação de defensivo ao registro prévio do produto junto aos órgãos federais competentes. Somente podem ser utilizados agrotóxicos com registro ativo obtido junto ao MAPA, ao IBAMA e à ANVISA. Isso vale independentemente do tipo de aeronave usada — tripulada, drone ou elétrica autônoma.

Instrução Normativa MAPA nº 2/2008 — estabelece os padrões técnico-operacionais e de segurança da aviação agrícola no país, com o objetivo declarado de proteger pessoas, bens e o meio ambiente. Entre suas exigências mais relevantes estão:

  • Distâncias mínimas de segurança: proibição de aplicação aérea a menos de 500 metros de povoações, cidades e mananciais de captação para abastecimento público, e a menos de 250 metros de mananciais de água, moradias isoladas e agrupamentos de animais;
  • Homologação dos equipamentos de pulverização pelo MAPA, com instalação aprovada pela ANAC — exigência que se aplica também às configurações de barras e bicos das aeronaves elétricas;
  • Manutenção de pátio de descontaminação próprio para lavagem das aeronaves e tratamento adequado dos resíduos;
  • Restrições de sobrevoo sobre áreas povoadas quando a aeronave transporta produtos químicos, além de exigências de EPI para as equipes de campo e infraestrutura de primeiros socorros no local da operação;
  • Responsável técnico habilitado (engenheiro agrônomo) e relatório operacional disponível para fiscalização.

O posicionamento do Instituto

Reconhecemos e valorizamos o esforço de empresas como a SLC Agrícola em investir em tecnologias que apontam para uma agricultura mais eficiente e com menor pegada de carbono. Esse tipo de investimento é bem-vindo e deve ser incentivado.

Ao mesmo tempo, reforçamos que a inovação tecnológica não é, e não deve ser tratada como, um substituto para a conformidade regulatória. Pelo contrário: quanto maior a escala da operação — e os 140 mil hectares projetados representam uma escala expressiva —, maior a responsabilidade de garantir que cada aeronave, cada produto aplicado e cada nova fazenda incorporada à operação estejam em conformidade com a Lei dos Agrotóxicos, com a IN 2/2008 e com as demais normas ambientais aplicáveis, inclusive as legislações estaduais e municipais eventualmente mais restritivas.

O cumprimento dessas exigências não é apenas uma obrigação legal: é o que garante que o avanço técnico se traduza, de fato, em segurança para trabalhadores, comunidades vizinhas e meio ambiente — e não apenas em ganho de produtividade para a operação.

A SLC Agrícola, um dos maiores conglomerados do agronegócio brasileiro, está ampliando de forma significativa sua operação com aviões agrícolas autônomos. Após uma temporada de testes bem-sucedida com o Pelican 2, da startup californiana Pyka, a companhia gaúcha confirmou um novo pedido de aeronaves para escalar as atividades por diferentes unidades de produção — com a meta de ultrapassar os 140 mil hectares pulverizados de forma autônoma nas próximas safras.

Uma parceria que superou expectativas

O acordo entre a SLC e a Pyka foi anunciado em julho de 2024, quando a empresa norte-americana celebrou sua entrada em um dos maiores mercados agrícolas do mundo. Na época, o objetivo era testar a viabilidade do Pelican Spray nas lavouras de soja, milho e algodão espalhadas pelos sete estados onde a SLC atua. Dois funcionários da companhia foram treinados para operar as aeronaves — e os resultados convenceram a direção a ir além do projeto piloto.

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“Nossa parceria com a Pyka superou as expectativas. O Pelican 2 demonstrou capacidade de oferecer proteção confiável às lavouras mesmo em condições exigentes de campo, inclusive em aplicações noturnas”, declarou Ronei Sandri Sana, gerente de Agricultura Digital da SLC Agrícola. Com base nos dados obtidos na última safra, a empresa decidiu ampliar a frota para continuar avançando em inovação e produtividade em suas operações.

O avião: entre o drone e a aeronave convencional

O Pelican 2 ocupa um espaço tecnológico inédito no mercado agrícola. Trata-se de uma aeronave de asa fixa, 100% elétrica e completamente autônoma — sem piloto a bordo e sem necessidade de combustível para voar. Com 6 metros de comprimento e 11,6 metros de envergadura, o equipamento carrega até 300 litros de defensivos por voo e consegue cobrir uma faixa de aplicação de até 18 metros de largura, atingindo produtividade de 90 a 100 hectares por hora.

Seu posicionamento é estratégico: enquanto os maiores drones agrícolas disponíveis transportam no máximo 150 quilos de carga, os aviões convencionais carregam até 3 mil quilos. O Pelican 2 fica no meio do caminho, com autonomia e escala superiores ao drone, mas operação muito mais simples e barata que a aviação tripulada.

A tecnologia proprietária da Pyka inclui software de voo autônomo desenvolvido internamente, baterias de alta densidade energética, sistema de propulsão com quatro motores elétricos e fuselagem em fibra de carbono. A empresa destaca que o sistema de autonomia foi construído integralmente por ela — algo que, segundo o CEO Michael Norcia, é ao mesmo tempo o maior diferencial e o maior desafio da companhia: “Literalmente nenhuma outra empresa está fazendo o que fazemos, porque é extremamente difícil”.

A capacidade de voar à noite como diferencial

Entre os fatores que mais pesaram na avaliação positiva da SLC, um se destacou: a possibilidade de realizar pulverizações noturnas. Para Norcia, essa é provavelmente a maior proposta de valor do Pelican 2. Aplicar defensivos durante a madrugada reduz a evaporação dos produtos, minimiza a deriva por vento e abre uma janela operacional que as aeronaves tripuladas raramente conseguem aproveitar. Tudo isso sem colocar um piloto em risco.

Expansão acelerada no Brasil

O Brasil virou o principal palco de crescimento da Pyka. Em fevereiro de 2025, a empresa lançou o Pelican 2 na World Ag Expo, na Califórnia, e anunciou um pedido histórico de 20 aeronaves no país. Com o novo contrato com a SLC, o plano é entregar 30 unidades adicionais até o fim de 2026 — o que elevaria a frota ativa no Brasil a um patamar inédito para aeronaves autônomas de grande porte.

O próprio mercado já sinalizava que a mudança estava chegando. Em 2025, o Brasil registrou oficialmente o primeiro avião agrícola autônomo em sua frota regulamentada pela ANAC: o Pyka Pelican, que operou em uma das maiores fazendas da SLC. Para o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o registro, embora ainda represente uma única aeronave numa frota de 2.866 aviões tripulados, marca o início de uma nova era tecnológica no campo.

Por que a SLC apostou nessa tecnologia

A SLC Agrícola possui 26 unidades de produção distribuídas por sete estados, com área plantada de cerca de 836 mil hectares na safra 2025/2026. A empresa tem histórico de adoção agressiva de inovação: em 2024, o CEO Aurélio Pavinato afirmou que o uso combinado de drones e agricultura digital havia gerado R$ 90 milhões em economia, principalmente pela redução de herbicidas e inseticidas via pulverização seletiva.

O Pelican 2 entra nesse ecossistema como uma camada adicional de eficiência. “Buscamos no mercado uma solução autônoma para aplicação aérea que atenda aos requisitos da nossa operação, e o produto da Pyka se mostrou ideal. A combinação de carga útil e precisão de pulverização tem potencial de reduzir nossos custos operacionais e nos ajudar a atingir nossas metas de sustentabilidade”, afirmou Ronei Sana.

Pesquisadores independentes que avaliaram o desempenho do equipamento também foram positivos. “O Pelican entrega a performance de uma aeronave grande com a facilidade de uso de um sistema muito menor e autônomo”, disse o pesquisador Fernando Kassis Carvalho, da empresa AgroEfetiva, que realizou testes de tecnologia de aplicação com o aparelho.

O futuro autônomo do agro

A Pyka encerrou 2025 com sete unidades do Pelican 2 entregues no mundo e mira 30 entregas adicionais apenas no Brasil até o fim de 2026. A empresa já tem pedidos registrados para 2027 e 2028 e afirma que, se tivesse dez aeronaves a mais disponíveis agora, venderia todas imediatamente.

Para o agronegócio brasileiro, o movimento da SLC funciona como um sinal. Uma empresa do seu porte, com décadas de experiência em grandes lavouras e cultura consolidada de gestão por dados, decidiu apostar na aviação autônoma não como experimento de laboratório, mas como estratégia operacional de médio prazo. A meta de 140 mil hectares pulverizados com aeronaves sem piloto é, ao mesmo tempo, um número e uma declaração de intenções.

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