SLC Agrícola expande frota de aeronaves autônomas e projeta pulverização em mais de 140 mil hectares

admin

A SLC Agrícola, um dos maiores conglomerados do agronegócio brasileiro, está ampliando de forma significativa sua operação com aviões agrícolas autônomos. Após uma temporada de testes bem-sucedida com o Pelican 2, da startup californiana Pyka, a companhia gaúcha confirmou um novo pedido de aeronaves para escalar as atividades por diferentes unidades de produção — com a meta de ultrapassar os 140 mil hectares pulverizados de forma autônoma nas próximas safras.

Uma parceria que superou expectativas

O acordo entre a SLC e a Pyka foi anunciado em julho de 2024, quando a empresa norte-americana celebrou sua entrada em um dos maiores mercados agrícolas do mundo. Na época, o objetivo era testar a viabilidade do Pelican Spray nas lavouras de soja, milho e algodão espalhadas pelos sete estados onde a SLC atua. Dois funcionários da companhia foram treinados para operar as aeronaves — e os resultados convenceram a direção a ir além do projeto piloto.

“Nossa parceria com a Pyka superou as expectativas. O Pelican 2 demonstrou capacidade de oferecer proteção confiável às lavouras mesmo em condições exigentes de campo, inclusive em aplicações noturnas”, declarou Ronei Sandri Sana, gerente de Agricultura Digital da SLC Agrícola. Com base nos dados obtidos na última safra, a empresa decidiu ampliar a frota para continuar avançando em inovação e produtividade em suas operações.

O avião: entre o drone e a aeronave convencional

O Pelican 2 ocupa um espaço tecnológico inédito no mercado agrícola. Trata-se de uma aeronave de asa fixa, 100% elétrica e completamente autônoma — sem piloto a bordo e sem necessidade de combustível para voar. Com 6 metros de comprimento e 11,6 metros de envergadura, o equipamento carrega até 300 litros de defensivos por voo e consegue cobrir uma faixa de aplicação de até 18 metros de largura, atingindo produtividade de 90 a 100 hectares por hora.

Seu posicionamento é estratégico: enquanto os maiores drones agrícolas disponíveis transportam no máximo 150 quilos de carga, os aviões convencionais carregam até 3 mil quilos. O Pelican 2 fica no meio do caminho, com autonomia e escala superiores ao drone, mas operação muito mais simples e barata que a aviação tripulada.

A tecnologia proprietária da Pyka inclui software de voo autônomo desenvolvido internamente, baterias de alta densidade energética, sistema de propulsão com quatro motores elétricos e fuselagem em fibra de carbono. A empresa destaca que o sistema de autonomia foi construído integralmente por ela — algo que, segundo o CEO Michael Norcia, é ao mesmo tempo o maior diferencial e o maior desafio da companhia: “Literalmente nenhuma outra empresa está fazendo o que fazemos, porque é extremamente difícil”.

A capacidade de voar à noite como diferencial

Entre os fatores que mais pesaram na avaliação positiva da SLC, um se destacou: a possibilidade de realizar pulverizações noturnas. Para Norcia, essa é provavelmente a maior proposta de valor do Pelican 2. Aplicar defensivos durante a madrugada reduz a evaporação dos produtos, minimiza a deriva por vento e abre uma janela operacional que as aeronaves tripuladas raramente conseguem aproveitar. Tudo isso sem colocar um piloto em risco.

Expansão acelerada no Brasil

O Brasil virou o principal palco de crescimento da Pyka. Em fevereiro de 2025, a empresa lançou o Pelican 2 na World Ag Expo, na Califórnia, e anunciou um pedido histórico de 20 aeronaves no país. Com o novo contrato com a SLC, o plano é entregar 30 unidades adicionais até o fim de 2026 — o que elevaria a frota ativa no Brasil a um patamar inédito para aeronaves autônomas de grande porte.

O próprio mercado já sinalizava que a mudança estava chegando. Em 2025, o Brasil registrou oficialmente o primeiro avião agrícola autônomo em sua frota regulamentada pela ANAC: o Pyka Pelican, que operou em uma das maiores fazendas da SLC. Para o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o registro, embora ainda represente uma única aeronave numa frota de 2.866 aviões tripulados, marca o início de uma nova era tecnológica no campo.

Por que a SLC apostou nessa tecnologia

A SLC Agrícola possui 26 unidades de produção distribuídas por sete estados, com área plantada de cerca de 836 mil hectares na safra 2025/2026. A empresa tem histórico de adoção agressiva de inovação: em 2024, o CEO Aurélio Pavinato afirmou que o uso combinado de drones e agricultura digital havia gerado R$ 90 milhões em economia, principalmente pela redução de herbicidas e inseticidas via pulverização seletiva.

O Pelican 2 entra nesse ecossistema como uma camada adicional de eficiência. “Buscamos no mercado uma solução autônoma para aplicação aérea que atenda aos requisitos da nossa operação, e o produto da Pyka se mostrou ideal. A combinação de carga útil e precisão de pulverização tem potencial de reduzir nossos custos operacionais e nos ajudar a atingir nossas metas de sustentabilidade”, afirmou Ronei Sana.

Pesquisadores independentes que avaliaram o desempenho do equipamento também foram positivos. “O Pelican entrega a performance de uma aeronave grande com a facilidade de uso de um sistema muito menor e autônomo”, disse o pesquisador Fernando Kassis Carvalho, da empresa AgroEfetiva, que realizou testes de tecnologia de aplicação com o aparelho.

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O futuro autônomo do agro

A Pyka encerrou 2025 com sete unidades do Pelican 2 entregues no mundo e mira 30 entregas adicionais apenas no Brasil até o fim de 2026. A empresa já tem pedidos registrados para 2027 e 2028 e afirma que, se tivesse dez aeronaves a mais disponíveis agora, venderia todas imediatamente.

Para o agronegócio brasileiro, o movimento da SLC funciona como um sinal. Uma empresa do seu porte, com décadas de experiência em grandes lavouras e cultura consolidada de gestão por dados, decidiu apostar na aviação autônoma não como experimento de laboratório, mas como estratégia operacional de médio prazo. A meta de 140 mil hectares pulverizados com aeronaves sem piloto é, ao mesmo tempo, um número e uma declaração de intenções.

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