Abelhas e biodiversidade caminham juntas. Sem polinizadores ativos, muitas plantas nativas perdem a capacidade de trocar material genético entre indivíduos diferentes. Um estudo conduzido na Serra do Cipó, em Minas Gerais, mostrou que abelhas e beija-flores desempenham papel decisivo para a diversidade genética de espécies típicas do Cerrado. Além disso, a pesquisa foi publicada na revista científica Annals of Botany e analisou treze espécies de canela-de-ema do gênero Vellozia, plantas comuns nos campos rupestres.
Abelhas e biodiversidade: o que revela o estudo da Serra do Cipó?
Os pesquisadores constataram que várias dessas espécies conseguem se autofecundar. No entanto, a produção de sementes viáveis depende fortemente da visita de polinizadores. Ou seja, a autofecundação garante alguma reprodução, mas a polinização cruzada — feita por abelhas e beija-flores — aumenta significativamente as chances de germinação. Portanto, retirar os polinizadores do ambiente não elimina a reprodução das plantas. Ainda assim, empobrece sua diversidade genética ao longo do tempo.
Por que a diversidade genética importa tanto quanto a própria reprodução?
Uma planta que se reproduz apenas por autofecundação tende a gerar descendentes geneticamente parecidos entre si. Por isso, essa uniformidade reduz a capacidade da população de responder a pragas, doenças e mudanças climáticas. Assim, a presença de abelhas e outros polinizadores não é um detalhe estético da paisagem. Ela é, na verdade, um mecanismo de resiliência ecológica. No IBRAM, entendemos abelhas e biodiversidade como uma relação mensurável, e não como um benefício abstrato da natureza.
O declínio de um polinizador pode passar despercebido?
A resposta, infelizmente, é sim. Espécies antes comuns — como vaga-lumes e pardais — vêm desaparecendo silenciosamente de diversas regiões do Brasil. Contudo, não existe um evento único e visível que explique essa perda. O padrão, na verdade, se repete por acúmulo de pequenas omissões: fiscalização insuficiente, ausência de registro e falta de dados sobre onde essas populações ainda existem. Com as abelhas, o risco é semelhante. Afinal, cada apiário ou meliponário não cadastrado é mais um ponto cego nesse padrão de omissão acumulada. Consequentemente, cada ponto cego dificulta qualquer política pública de proteção aos polinizadores.
Existe proteção legal para quem cuida das abelhas e da polinização?
Sim, e ela já está em vigor. A Lei nº 14.119/2021 institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA). Além disso, ela reconhece explicitamente a polinização como serviço ecossistêmico passível de remuneração formal. Diferente do assistencialismo pontual, o PSA funciona por contrato. A empresa paga se — e somente se — o apicultor ou meliponicultor comprovar que cumpre as práticas de manejo e conservação exigidas. Assim, nenhum dos dois lados depende da boa vontade do outro; ambos dependem de condições verificáveis. Saiba mais sobre como esse mecanismo se aplica à cadeia apícola em nosso artigo sobre serviço ambiental apícola e PSA para meliponicultores.
Como comprovar essa atividade e acessar esse direito?
Aqui está o ponto central: sem registro, não há prova de atividade. Consequentemente, sem prova, não há sujeito de direito ao PSA. Quem não se cadastra não consegue demonstrar dano em caso de contaminação. Tampouco consegue pleitear pagamento quando o mecanismo for regulamentado localmente. Por isso, o cadastro no GeoIBRAM é o primeiro passo documental para transformar a atividade apícola e meliponícola em direito mensurável, contratável e pago. Afinal, a mesma lógica que protege abelhas e biodiversidade também sustenta a renda de quem cuida delas.
Quem não registra, não prova — e quem não prova, não recebe. Cadastre seu apiário ou meliponário no GeoIBRAM e comece a construir, hoje, o histórico que sustenta tanto sua defesa em caso de contaminação quanto seu direito futuro ao Pagamento por Serviços Ambientais. Cadastre-se gratuitamente em geoibram.com/cadastro/.
