Bee-REX: O Modelo que está Matando as Abelhas sem Ferrão no Brasil

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o impacto desigual de agrotóxicos em abelhas

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Como uma ferramenta de triagem importada dos EUA se tornou o maior ponto cego na proteção da nossa biodiversidade nativa

Por Jeovam Lemos Cavalcante  |  Presidente do IBRAM  |  Março de 2026

📰 A notícia que originou este artigo

Pesquisa publicada em 2026 no periódico Pesticide Biochemistry and Physiology, repercutida pelo Portal do Agronegócio. A autora, Isabella Lippi (UNESP / Universidade Southern Cross), analisou 115 experimentos: em 72% dos testes, as abelhas nativas apresentaram maior sensibilidade a pesticidas do que a Apis mellifera. O trabalho recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese em 2025.

Se você cria Jandaíra, Uruçu ou Mandaçaia, provavelmente já sentiu que suas abelhas são mais frágeis quando o vizinho pulveriza. Você estava certo. O problema é que a regulação brasileira ainda não sabe disso — ou melhor: sabe, admite em documentos oficiais, e não faz nada.

1. O que “72% dos Testes” Significa para o Seu Meliponário

Quando um agrotóxico recebe autorização no Brasil, o laudo de segurança para polinizadores foi feito com base na Apis melliferatema estudado há anos por pesquisadores brasileiros. A dose considerada “aceitável” foi calibrada para uma espécie mais resistente. Para a sua Jandaíra, essa mesma dose pode ser subletal em curto prazo — e destruir a colônia silenciosamente ao longo de semanas.

Subletais são os piores: não matam imediatamente — desorientam as forrageiras, comprometem a memória de navegação e reduzem a postura da rainha. Você percebe o dano tarde demais.

2. BEE-REX: O Nome do Problema que Você Nunca Ouviu

O modelo que decide se um agrotóxico é seguro para abelhas no Brasil chama-se BEE-REX (Bee Terrestrial Residue Exposure), previsto na IN n.º 02/2017 do IBAMA. Foi criado nos EUA para climas temperados, importado sem adaptação para os nossos biomas — e usa exclusivamente a Apis mellifera como referência.

Toda autorização de agrotóxico no Brasil é concedida com base em testes feitos com uma abelha europeia — e aplicada sobre as suas abelhas nativas como se fossem a mesma coisa.

Para o IBRAM, é uma questão de escala mal calibrada: é como testar a toxicidade de um produto no boi nelore — robusto, de couro grosso, selecionado para o sol do cerrado — e decretar que a Jandaíra, abelha endêmica da Caatinga que pesa menos de um décimo de grama, está igualmente protegida. O boi foi criado para o campo aberto. A Jandaíra foi moldada por milhões de anos num bioma que não existe em nenhum outro lugar do planeta. O resultado não pode ser outro.

3. As Três Falhas que Afetam Diretamente Suas Colônias

  • Espécie única, diversidade ignorada: o BEE-REX não distingue Jandaíra, Uruçu, Mandaçaia ou Iraí. Para o modelo, todas as abelhas são europeias.
  • Rotas de exposição invisíveis: suas nativas constroem ninhos com solo, barro e geoprópolis. Solo contaminado entra diretamente na colônia pelo material de construção — risco que o BEE-REX não calcula.
  • Incerteza admitida pelo Estado: em pareceres oficiais, o próprio IBAMA reconhece que suas conclusões de risco têm validade limitada por extrapolarem dados de uma espécie exótica para as nossas nativas.

4. Drones Sem Cadastro: O Risco que Chegou Sem Regulação

O IBRAM confirmou via LAI que a ANAC não possui dados de operadores de drones por estado. Nenhum órgão sabe quantos equipamentos estão voando, onde e com quê.

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O que a lei exige: notificação prévia a todos os meliponiculturistas em raio de 6 km (IN 02/2008) e zona de exclusão de 250 metros ao redor de meliponários registrados (Portaria MAPA 298/2021). Na prática, a maioria nunca recebeu uma única notificação.

Três ignorâncias se somam: o produtor não sabe que precisa notificar; o operador de drone não sabe que meliponários têm proteção legal; o meliponicultor não sabe que tem direitos. Enquanto o Estado não age, a única resposta é a ação coletiva.


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FAÇA PARTE DA CORRENTE DA LEGALIDADE

Você conhece suas abelhas. Agora precisa conhecer seus direitos — e registrar quando eles são violados.

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O IBRAM Vai Continuar Pressionando pela Revisão do BEE-REX

A pesquisa da UNESP é o ponto de partida científico que faltava. O IBRAM defende, junto à Câmara Setorial do Mel no MAPA, que a proteção legal contemple todas as espécies de polinizadores nativos e que o BEE-REX seja revisado com base na biodiversidade brasileira.

Enquanto isso não avança, o GeoIBRAM é o instrumento disponível agora — documentação georreferenciada e base de dados que o Estado não construiu, mas que a Corrente da Legalidade está construindo colônia por colônia.

A ferramenta está disponível. O elo que falta é o seu.

IBRAM — Instituto Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura
Escritório de Representação Nacional: Setor Bancário Sul, Quadra 02, Edifício Empire Center, Brasília-DF, CEP 70070-904
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