Por que o Brasil deveria se importar com a morte de abelhas | IBRAM
Jeovam Lemos Cavalcante — Advogado, membro da Câmara Setorial do Mel/MAPA, Secretário da Câmara Temática do Mel do Ceará e Fundador do IBRAM
Quando abelhas morrem em massa, o primeiro pensamento é sobre o mel. O problema real é outro: abelhas são responsáveis pela polinização de cerca de 70% das plantas cultivadas para alimentação. Sem elas, frutas, verduras e boa parte do que está na sua mesa simplesmente desaparecem.
500 milhões de abelhas mortas em apenas três meses no Brasil. Casos concentrados no RS, SC, MS e SP — principal causa identificada: agrotóxicos à base de fipronil e neonicotinoides aplicados sem comunicação prévia aos apicultores.
O agrotóxico que ninguém avisou
A mortandade em massa não acontece por acaso. Acontece quando agrotóxicos são aplicados durante o dia — com as abelhas fora das colmeias — sem aviso prévio aos apicultores da região. É uma violação legal e um dano ambiental com responsável identificável. No Rio Grande do Sul, 80% das mortes registradas foram atribuídas ao fipronil, inseticida já banido para uso agrícola em vários países europeus.
O impacto econômico que o Brasil ignora
O Brasil é o oitavo produtor mundial de mel. Mel contaminado por resíduos de agrotóxicos é rejeitado pelo mercado europeu — o mais exigente e mais lucrativo. A morte de colmeias não afeta só o apicultor: afeta o exportador, o produtor rural que depende de polinização e toda a cadeia do agronegócio.
⚠ O tema ainda é negligenciado — mas há um caminho
A União Europeia já proibiu três neonicotinoides e restringiu o fipronil. O Brasil segue na direção oposta. Enquanto isso, apicultores perdem colmeias sem ter a quem recorrer — porque não há registro, não há prova, não há rastreabilidade.
✅ Rastreabilidade começa com um cadastro
O GeoIBRAM registra sua área produtiva, documenta a presença do seu apiário no território e emite alertas quando há pulverização na vizinhança. Sem esse registro, você não tem como provar que estava lá antes do dano. Cadastro gratuito para apicultores, meliponicultores e agricultores familiares. Cadastre-se no GeoIBRAM →
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