Dia Nacional das Abelhas: polinização pode gerar R$ 4,2 bilhões por ano — quanto vale o serviço ambiental de quem mantém as abelhas?

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o Dia Nacional das Abelhas não precisa ser apenas uma data de homenagem. Ele também pode marcar uma mudança na forma como a sociedade enxerga economicamente esses polinizadores.

Neste 3 de outubro, Dia Nacional das Abelhas, uma notícia publicada pela CNN Brasil ajuda a dar dimensão econômica a algo que apicultores e meliponicultores conhecem há muito tempo: as abelhas valem muito mais do que o mel que produzem.

Um estudo desenvolvido no âmbito do BIOTA Síntese, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, a USP e outras instituições, estimou que a redução do déficit de polinização pode representar ganhos de até R$ 4,2 bilhões por ano para a economia paulista.

No entanto, esse valor precisa ser compreendido corretamente. Afinal, ele se refere ao benefício econômico relacionado à produção agrícola. Ou seja, estamos olhando apenas uma parte do valor gerado pela polinização.

Por isso, o IBRAM faz uma pergunta maior:

Se a polinização pode representar bilhões apenas para a agricultura, quanto vale o serviço ecossistêmico total prestado pelas abelhas?

E existe uma segunda pergunta, ainda mais importante:

Quanto vale o serviço ambiental prestado pelo apicultor e pelo meliponicultor que mantêm, manejam e ajudam a proteger essas colônias no território?

R$ 4,2 bilhões é apenas uma parte da conta

A polinização participa diretamente da produtividade de diversas culturas agrícolas. Por isso, quando existe déficit de polinizadores, também pode haver perda potencial de produção. Da mesma forma, quando esse serviço melhora, surgem condições para ganhos econômicos.

Foi justamente essa relação entre oferta e demanda de polinização que o estudo paulista procurou mapear. Além disso, a pesquisa aponta que conservar e recuperar vegetação nativa próxima às áreas agrícolas pode ampliar o fluxo de polinizadores e favorecer a produção.

Entretanto, a contribuição das abelhas não termina na lavoura. Elas também participam da reprodução de plantas nativas, da formação de frutos e sementes, da regeneração da vegetação e da manutenção da biodiversidade.

Portanto, os R$ 4,2 bilhões não representam necessariamente todo o valor da polinização. Eles demonstram algo igualmente importante: uma parcela desse serviço já pode ser medida economicamente.

A abelha presta o serviço ecossistêmico. E o apicultor?

Essa distinção é central para o IBRAM. Primeiro, é preciso separar aquilo que a natureza realiza da atividade humana que ajuda a conservar esse processo.

A abelha presta o serviço ecossistêmico da polinização. O apicultor ou meliponicultor pode prestar o serviço ambiental ao manter, manejar e conservar condições que ajudam esse serviço a continuar existindo.

A abelha voa, visita flores e realiza a polinização. Enquanto isso, o apicultor mantém colônias, cuida dos enxames, substitui caixas, protege os apiários, acompanha a saúde das colônias e ajuda a conservar condições adequadas à permanência das abelhas no território.

Consequentemente, esse trabalho humano também possui custo. É justamente por isso que o debate sobre Pagamento por Serviços Ambientais — PSA ganha importância.

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O mel remunera o produto. A polinização representa outro valor

Quando o apicultor vende mel, recebe pelo produto. Porém, o preço do quilo de mel não necessariamente incorpora todo o valor ambiental relacionado à presença e à manutenção das abelhas naquele território.

Por isso, o IBRAM trabalha com uma distinção simples:

O mel remunera o produto. O PSA pode remunerar o serviço ambiental.

Essa separação é importante porque evita colocar toda a renda do apicultor dentro do preço do mel. Afinal, o mercado do mel possui seus próprios custos: produção, transporte, beneficiamento, armazenamento, embalagem, distribuição e comercialização.

Já o serviço ambiental segue outra lógica econômica.

Se a presença de polinizadores aumenta a produção agrícola, contribui para a regeneração da vegetação e favorece a biodiversidade, existe um valor que ultrapassa aquilo que pode ser colocado dentro de um pote de mel.

São Paulo já aproxima abelhas, conservação e renda

A notícia divulgada no Dia Nacional das Abelhas mostra que essa discussão já começa a sair do campo teórico.

Por exemplo, o Programa Abelhas Nativas da Fundação Florestal está presente em mais de 25 Unidades de Conservação paulistas e acompanha espécies de abelhas nativas sem ferrão. Além disso, mantém caixas racionais e desenvolve ações de conservação e educação ambiental.

Ao mesmo tempo, a Fundação Florestal integra ações relacionadas às abelhas a iniciativas de bioeconomia e Pagamento por Serviços Ambientais.

A matéria cita o PSA Juçara, voltado à conservação, ao manejo sustentável e ao repovoamento da palmeira-juçara. Nesse ambiente, as abelhas participam da polinização, enquanto a criação racional pode gerar produtos e renda complementar para as famílias envolvidas.

Outro exemplo é o PSA Guardiões das Florestas, que desenvolve atividades com comunidades indígenas, incluindo identificação e monitoramento de ninhos naturais.

Assim, a relação entre polinizadores, conservação, geração de renda e PSA já começa a produzir experiências concretas.

Mas R$ 4,2 bilhões não significam R$ 4,2 bilhões para apicultores

Contudo, os R$ 4,2 bilhões não significam que exista esse valor disponível para distribuição entre apicultores e meliponicultores.

O estudo não criou um fundo de R$ 4,2 bilhões. Também não atribuiu automaticamente um valor financeiro a cada colmeia.

Na verdade, o número representa um benefício econômico potencial associado à redução do déficit de polinização na agricultura paulista.

Por isso, transformar atividade ambiental em remuneração exige responder perguntas concretas: quem presta o serviço, onde ele ocorre, como comprová-lo, qual metodologia utilizar, quem se beneficia, quem financia e como monitorar os resultados.

É justamente nessa passagem entre serviço existente e serviço ambiental comprovado e financiável que o GeoIBRAM pretende contribuir.

O serviço existe. O ativo depende da prova

O IBRAM desenvolve essa discussão na Vitrine de Ativos Ambientais do GeoIBRAM.

A proposta parte de um princípio:

O serviço existe pela atividade. O ativo depende da prova.

Assim, não basta afirmar que existem abelhas. O projeto precisa demonstrar onde elas estão, qual atividade ocorre naquele território, quais condições ambientais existem e como o serviço será monitorado.

Por isso, o GeoIBRAM organiza informações relacionadas a georreferenciamento, documentação, rastreabilidade e monitoramento. Esses elementos não criam a polinização. Em vez disso, ajudam a comprovar a atividade ambiental e a estruturar projetos de PSA.

Conheça a proposta:

O Dia Nacional das Abelhas precisa ir além da homenagem

Por fim, o Dia Nacional das Abelhas não precisa ser apenas uma data de homenagem. Ele também pode marcar uma mudança na forma como a sociedade enxerga economicamente esses polinizadores.

Durante muito tempo, a abelha apareceu principalmente associada ao mel, à cera, à própolis e aos demais produtos da colmeia. Hoje, porém, sabemos que sua contribuição vai muito além desses produtos.

A polinização beneficia a agricultura, participa da regeneração das florestas e ajuda a manter a biodiversidade.

Portanto, se apenas uma parcela desse serviço pode representar até R$ 4,2 bilhões por ano em São Paulo, precisamos avançar na pergunta:

Quanto vale manter as abelhas vivas, ativas e presentes nos territórios brasileiros?

E, principalmente:

Como fazer com que parte desse valor ambiental gere renda para quem ajuda a conservar esse serviço?

Essa é uma das discussões que o IBRAM pretende levar à apicultura e à meliponicultura brasileira.

Porque o mel é aquilo que conseguimos colocar no pote. A polinização é o valor que permanece espalhado pela agricultura, pelas florestas e pela biodiversidade.

IBRAM Brasil

Instituto Brasileiro de Apicultura e Meliponicultura – IBRAM
CNPJ: 54.774.141/0001-90
Representação: SBS Quadra 02, Bloco S, Edifício Empire Center, Brasília/DF
E-mail: contato@geoibram.com
Telefone: (61) 99850-2424

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