48 Agrotóxicos Aprovados Sem Testar as Abelhas. O Que Isso Significa Para Quem Vive da Polinização.
Publicamos um artigo técnico sobre esse tema. Agora explicamos, em linguagem direta, o que está em jogo para apicultores, meliponicultores e produtores que dependem das abelhas para produzir.
Por Redação GeoIBRAM · Abril de 2026
Este artigo é uma versão de campo de um dossiê técnico publicado pelo IBRAM. Se quiser acessar o documento completo com os números de processo, as normas e os detalhes legais, acesse: IBAMA Confirma: 48 Agrotóxicos Aprovados Sem Testes para Abelhas Nativas.
Em março de 2026, o governo federal aprovou 48 novos agrotóxicos de uma vez. O IBRAM fez uma pergunta simples ao IBAMA: antes de aprovar esses produtos, alguém testou o efeito deles nas abelhas?
A resposta chegou por escrito, assinada por um servidor do IBAMA:
“Não foi exigida a apresentação de estudos para abelhas ou qualquer outro organismo não-alvo.” IBAMA — Despacho oficial, abril de 2026
Quarenta e oito produtos. Zero testes para abelhas. Aprovados.
Por que isso importa para quem tem colmeia, meliponário ou plantação
A abelha não escolhe onde pousa. Ela vai onde tem flor — e isso inclui a lavoura do vizinho que acabou de receber uma pulverização. Quando um produto novo é aprovado sem que ninguém tenha testado o que ele faz com a Jandaíra, com a Uruçu ou com a Jataí, quem paga a conta é o criador.
E não é só quem cria abelha. Maçã, uva, melão, abóbora, tomate, morango, café — todas essas culturas dependem da polinização para produzir. Hortas orgânicas que não usam agrotóxico nenhum podem ser afetadas pelo que é pulverizado a quilômetros de distância, carregado pelas próprias abelhas que o produtor orgânico depende.
Em 41 dias — fevereiro e março de 2026 — foram aprovados 79 agrotóxicos por esse mesmo caminho. Nenhum testado para abelhas nativas brasileiras.
O que estava entre os 48 produtos aprovados
Alguns dos produtos aprovados são conhecidos de quem lida com o campo:
| Produto aprovado | Para que é usado | Risco declarado |
|---|---|---|
| Lambda-Cyhalothrin Técnico Liwei | Inseticida de amplo espectro — mata insetos em geral, inclusive polinizadores | Altamente Perigoso ao Meio Ambiente |
| Acetamiprid Técnico Yangnong | Inseticida da mesma família do imidacloprido — proibido em vários países por matar abelhas | Muito Perigoso |
| Acefato Técnico ZS | Inseticida organofosforado — usado em diversas culturas | Muito Perigoso |
| Chlorantraniliprole Técnico Inner | Inseticida de amplo espectro | Muito Perigoso |
Nenhum deles foi testado com abelhas nativas antes de ser aprovado. A justificativa do governo é que esses produtos são “equivalentes” a outros já registrados — então não precisam de novos testes. O problema é que os produtos de referência foram registrados antes de 2017, quando as abelhas nativas brasileiras nem eram consideradas nesse processo.
O que o IBRAM está fazendo com essa informação
O IBRAM vai levar esse dossiê à Câmara Setorial do Mel do Ministério da Agricultura e ao Ministério Público Federal. A exigência é que nenhum produto com potencial de matar abelhas seja aprovado sem testes feitos com as abelhas que vivem aqui — Jandaíra, Uruçu, Jataí, e as demais espécies nativas do Brasil.
Mas uma coisa a gente já aprendeu: o sistema só enxerga quem existe no mapa. Quem não está cadastrado é invisível — e invisível não recebe aviso antes da pulverização, não tem como provar prejuízo, não conta para nenhuma estatística.
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Fontes
Despacho IBAMA n.º 26903862/2026-Diqua · Processo n.º 02303.008284/2026-41 · Resposta LAI n.º 26835456/2026 · 10/04/2026
Ato n.º 16, de 27/03/2026 · DOU Seção 1, p. 35, ed. 61 · MAPA
Ato n.º 9, de 13/02/2026 · DOU Seção 1, p. 140, ed. 32 · MAPA
Artigo técnico completo: ibrambrasil.org.br
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